quarta-feira, 22 de setembro de 2010

...

Bati à porta. Ninguém respondeu.
Entrei e senti-te por perto.
O teu cheiro não engana,
Estavas ali.

Comecei a ler,
O que queria e o que não queria.
Comecei a vaguear pela casa e,
Dei por mim a conhecer-te
Através das palavras,
Das letras,
Da arrumação,
Da pontuação.
Apaixonei-me,
Segui-te,
Estudei-te,
Perdi-me.


Se hoje sou quem sou,
Posso agradecer à porta que se abriu,
Posso agradecer a quem não me respondeu.

Explorei o desconhecido,
Investi nele como se mais nada existisse.
Fez-me discutir com sabedores,
Fez-me sentir que sabia.

Um dia alguém vai dizer:
"É de família".
Se eu concordo?
Talvez.

Nunca esquecerei os postais em rima,
"Os olhos doces cor de mel",
As descrições da avó.

Façam-me rainha quando estiver ali,
Debaixo da terra que pisam.
Mas não me tentem interpretar,
Eu não tenho sentido possível.

...

Cansada,
Desarmada,
Inerte,
Errada.

Levanta-te,
Ergue os braços,
Luta,
Mostra quem és.

Fá-los ver que estás aqui,
Acredita em ti,
Luta para que nunca acabe,
Luta para que no fim te agrade.

Faz com que te desejem,
Acredita que te vão querer,
Faz com que te procurem,
Luta para viver.

A sobrevivência é um mal.
O comum mortal adora-a.
Eu odeio-a
Mas não deixo de ser comum.

Não luto pelo luxo,
Luto pelo que quero.
Luto por mim e por ti,
Não estaria aqui se assim não fosse.

Não lutes.
Deixa tudo para mim.

domingo, 19 de setembro de 2010

"oh tempo, volta para trás"

Entre cigarros, copos, comida e música a conversa surgiu...
Regressei aos meus tempos de criança e lembrei-me que a vida nem sempre foi tão "fácil" como é hoje. Recordo-me do tempo em que 1000 escudos eram a minha semanada e chegavam perfeitamente. Recordo-me de não ter esquentador em casa. Recordo-me de sempre ter tido o que precisava mas não ter tudo o que tenho hoje e tão facilmente. Computadores? Ninguém tinha. Telefone em casa? Lembro-me de ele ser instalado. Vídeo? Aos sete anos apareceu em minha casa. Se sou velha? Não...tenho apenas vinte e dois anos e dei conta de uma evolução rápida e desproporcional.
Esta evolução facilitou apenas o dia-a-dia mas reparo que condicionou um pouco tudo o resto. As relações já não são o que eram. Os amigos tanto são como deixam de ser. Perdem-se amigos com intrigas "facebookianas" por exemplo mas ganham-se amigos através das redes sociais também. As sms's permitem que as pessoas falem ininterruptamente, o que pode ser bom ou mau e...agora pergunto-me: gostavas de voltar atrás?Gostavas que fosse tudo como antes?
Gostava, pelo menos por uns tempos.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

poema das oito

Vivo na tua indiferença.
Sobrevivo da diferença.
Pronuncio-me indiferente.
Apareço diferente.

Sei o que fui, sei o que sou.
Não sei o que serei,
Se souberes diz-me.
Agora só quero permanecer indiferente.

Indiferente à tua indiferença,
Indiferente ao que fui e serei,
Consciente daquilo que sou e
Com coragem para enfrentar o que serei.

Se me ouvires grita,
Se me leres cala-te.
Se me vires chora,
mostra-me a tua alma.

Um poema das três

Se sinto o passado,
É porque algo ficou.
Se sinto o presente,
É porque algo se passa.
Se sinto é porque sinto,
Se não sinto é porque não tenho raça.

Raça para viver,
Coragem para enfrentar,
Determinação para terminar.

Não termino agora,
O que nunca comecei,
Terminarei um dia,
Quando sentir que o que passou
É passado.
Viverei do futuro,
Incerto mas decerto mais certo que o passado.

Agora vivo de mim,
Daquilo que sei e não digo,
Daquilo que quero e não quero,
Daquilo que não sei mas faço.

Vivo aqui, bem perto de ti,
No mesmo mundo,
Num cantinho à parte.

Selada num silêncio incomodativo,
Numa serenidade irritante.
Quero viver para ti,
Futuro intrigante.
Quero viver de ti,
Quero conhecer-te,
Diz-me quem és.

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Histórias que a Inês inventa...

Deitada no escuro há duas horas, de olhos abertos e a contar pulsações. Tinha medo, não percebia qual a razão mas estava com medo. Sabia que aquele sítio a fazia ter algumas recordações de um amor que não esqueceu. Não associava esse amor ao medo, porque estava em casa, em segurança. Longe de tudo e de todos e perto daquilo que realmente gosta, a Natureza.
A contagem não parava, o receio de morrer naquela noite era grande. A morte sempre foi algo que a atormentou nos maus momentos e até mesmo nos bons. Já tinha deixado partir, em momentos bons da vida, algumas pessoas que amava e sabia que não as voltaria a ver. Para ela não era fácil perder alguém, fácil era ganhar. Fazia amigos com facilidade e encontrava amor num abrir e fechar de olhos, apaixonava-se. Era uma eterna apaixonada, raramente correspondida para além da amizade. Uma perita desistente no que toca ao amor. Persistir não fazia parte do dicionário de relações, daí a facilidade em arranjar amigos e não algo mais.
Por momentos parou a contagem e pensou na paixão que tinha nascido naquele local. Ela sabia que não tinha sido bem ali mas talvez aquele fosse o sítio em que ela mais se iria lembrar desses momentos. Pensou, pensou, pensou e perdeu-se na cronometragem de pulsações. Perdeu-se num sonho que queria tornar real há uns tempos atrás.
Fechou finalmente os olhos e imaginou o romance perfeito. O romance típico de um filme ou livro, aquele que acaba sempre bem e começa ainda melhor. As trocas de beijos, os gestos românticos, as palavras bonitas e o verdadeiro amor não faltaram.
As poucas horas em que manteve os olhos fechados foram perfeitas. Quando acordou, os raios de sol encadearam-na e despertaram-na para o dia que a esperava. Enfrentou as olheiras ao espelho, atou o cabelo, comeu qualquer coisa e saiu de casa. Levou uma máquina fotográfica e um caderno e foi...para os montes. Fotografou animais, paisagens, folhas, flores, troncos e tudo aquilo que conseguiu. Parou para beber água numa fonte e escreveu o sonho mas inverteu o final da história, contou o que se tinha passado na vida real e isso acalmou-a. Na noite seguinte dormiu como não dormia há algum tempo, descansou mesmo e percebeu que o único amigo que tinha era aquele caderno, o caderno que a compreendia e que a fazia sentir-se bem. Nunca relia nada do que escrevia, sabia que uns tempos depois se iria rir de cada letra escrita naquelas folhas e só aí iria reler.
Passou o resto das férias perto da Natureza e a escrever. Habituou-se à escrita e ao seu novo melhor amigo, deixou o psicólogo e apaixonou-se, finalmente, por ele - o caderno.

(com a pouca inspiração que me tem invadido os últimos meses, admiro-me do que consegui fantasiar aqui, hoje. Um bem-haja à minha inspiração, apesar de pouca, está a voltar)

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

O verão (com letra minúscula de acordo com o Acordo)

Esta estação do ano é gira. Não digo isto "da boca para fora", "giro" é mesmo o adjectivo que melhor a define.
Se pensarmos naquilo que a maioria dos jovens faz nesta estação do ano, todos temos de concordar que o verão é "giro" e ponto final. Ah e também é fashion. Sim, porque hoje em dia é fashion gostar do verão e para a juventude esta é a época do ano onde se deve, e passo a citar, "aproveitar a vida".
E o que é isto de "aproveitar a vida"?
Ora bem, segundo o último estudo efectuado pela Inês Antunes, isto de "aproveitar a vida" é:
- ir a festivais de verão;
- ir a todas as festas, possíveis e imaginárias, que se realizem na costa portuguesa;
- ir à praia TODOS mas TODOS os dias;
- ficar mais bronzeada/o que a/o amiga/amigo do lado;
- conhecer os donos dos bares mais famosos da praia que frequentamos;
- conhecer toda a "maltinha fixe" da área;
- surfar, nem que seja com a água pelo tornozelo;
- comer todas/os as/os gajas/os que conseguirmos no menor espaço de tempo possível.
E agora perguntam: e que mal tem tudo isto Inês?
Nenhum, isto não tem "malzinho" nenhum, mesmo. O único problema é que a juventude para fazer tudo istob tem de estar no estado mais "cool" e mais zen possível. Ou seja, "bebedeira" e "moca" são as palavras que melhor acompanham esta estação do ano. E para quê? Para aproveitarem a vida e no dia a seguir não se lembrarem do que fizeram? Para aproveitarem a vida e no dia a seguir acharem que erraram? Para aproveitarem a vida e durante o dia terem uma valente "ressaca?
UUUUHHHHHHH que giro meus.
Só tenho mais uma coisa a dizer, tenho calor.

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Na diferença há respeito

Não escrevo neste blogue há tempo suficiente para sentir vergonha de voltar a fazê-lo. Mas não, não sinto vergonha porque este foi o meu melhor blogue, de sempre e calculo que para sempre. E não foi o melhor por aquilo que aqui escrevo mas pelo feedback que tive sempre que aqui escrevi. E por isso, volto a escrever. Não prometo que regularmente mas hão-de vir cá parar umas letras de vez em quando.
Quando penso em mim, penso em alguém que pensa de forma diferente da maioria das pessoas. A realidade é que isto é mentira e só hoje, agora, me apercebi disso. O problema não sou eu mas sim quem me rodeia. Não os meus amigos, porque esses tenho quatro ou cinco e são amigos de verdade, mas sim quem fica por perto mesmo que não os chamemos. São essas pessoas que me fazem sentir mal grande parte das vezes. Não sou superior, sou bastante inferior até, em relação a essas pessoas. Elas divertem-se regularmente com os problemas, brincam com o que me preocupa e fazem da vida uma alegria. É verdade, a vida é uma alegria, constante e interminável, mas deve ser consumida moderadamente e de forma ponderada. Ou não, lá está. Sou eu que estou mal não é? Ora aí está, "tu pensas demais Inês!". O melhor mesmo é ir dormir e esperar que quem brinca com a vida não brinque com a minha. Respeitinho.