Não me perguntem porque vou perder tempo a escrever este post, simplesmente tive vontade de o escrever. Se estou "à rasca"? Estou. Tal como milhares de jovens por todo o país.
A manifestação de hoje foi, sem dúvida, uma demonstração do poder do povo. Sim, "do povo". Será esta uma palavra proibida no dicionário da maior parte dos jovens que se manifestaram? Talvez. Hoje, quando terminei o meu trabalho como recenseadora, decidi ir ao Twitter expor a minha opinião em relação a esta manifestação. Fui, e sempre serei, severamente contestada. Escrevi algo deste género, nos poucos 140 caracteres que o Twitter me permite: "O que mais me irrita nestes jovens é o facto de nunca se terem interessado por política e agora criticarem todos os partidos". Sim, é verdade. Hoje, esses tais 200 mil jovens, manifestaram-se. Hoje, quando estamos verdadeiramente "à rasca". Hoje, quando já pouco, ou nada, podemos fazer para mudar o sistema instalado. Hoje, o dia em que achavam que iam mudar o país. Hoje, quando a Merkel e a União Europeia já fazem de Portugal o que querem. Hoje, quando há mais de dez anos que nos deparamos com a destruição do ensino em Portugal. Hoje, o dia em que por mais que saiamos à rua, os políticos já não nos ouvem nem vêem.
Deixamos, ao longo dos últimos anos, que este poder e esta forma de governar se instalasse no nosso país. Estes jovens que se manifestaram, muitos politicamente activos mas outros tantos que nunca viram um boletim de voto, não acham que já existiram dezenas de oportunidades para contrariarmos aquilo que nos está a acontecer agora?
Cá eu, acho que já vão tarde.Há muitos anos, e não tenho muitos, que me manifesto contra este sistema. Contra a educação, contra o mercado de trabalho e as leis laborais. Sim. Querem saber como? Há anos que vou a manifestações e sou politicamente activa. Desde os 18 anos que exerço o meu direito ao voto. E não, nunca votei em branco. Votei em quem achei que me defendia. E por isso sinto que fiz tudo o que estava ao meu alcance para hoje não estar "à rasca". Se estou, a culpa não é minha. A culpa é de quem não vota, a culpa é de quem em quem faz as leis, a culpa é de quem vota para que Portugal esteja como está. E não é agora, que já nos afundámos, que vamos resolver o problema. Era há uns anos.
Li, numa foto da manifestação, um cartaz em que dizia "eu não votei na Merkel!". Ora pois, eu também não. Os meus pais, também não. Mas houve quem há uns anos atrás achasse que a nossa entrada na União Europeia, na moeda única e em todo este sistema europeu, era benéfico para o país. Houve também quem achasse que estas políticas de direita dos últimos anos, e capitalistas, defendiam os nossos direitos. Será que estes jovens "à rasca" já se questionaram sobre se foram os pais deles que votaram e que os lixaram? Talvez não.
Eu sinto-me lixado, por todos, menos por quem me educou. Não me junto com fotocópias de quem me tramou, não me junto a quem faz protesto supostamente "apartidários" que criticam partidos. Não me junto a quem protesta sem pensar no passado e nos erros que tem vindo a cometer. Não me junto e não me juntarei a quem quer mudar mas deixa sempre tudo na mesma.
Estou "à rasca" mas não me "lixem" porque "parva eu não sou".
domingo, 13 de março de 2011
quarta-feira, 22 de dezembro de 2010
Zé medo
Enquanto lhe escorriam as lágrimas pelo rosto cansado e triste, ele pensava. Sabia que tudo lhe iria correr bem, como sempre, sabia também que ia sofrer até perceber que as coisas estavam a ir no bom caminho. Era um processo lento e penoso e passava-o todos os anos e por uma simples razão, ele não gostava de se sentir feliz.
Acusava a saturação da felicidade e, para si, a injusta sensação de prazer. Sabia ao certo o que o esperava nos próximos tempos, sabia ao certo o que estava a sentir mas nunca tentou saber, ao certo, como evitar tudo isto.
Perguntava-se regularmente o porquê de ter prazer em se sentir infeliz mas nunca percebeu que não era esse o seu problema.
Zé, aos 19 anos, tinha uma capacidade enorme de amar para fazer alguém se sentir bem mas nunca conseguiu amar para ter prazer. Adorava a felicidade dos outros e destruía a dele o mais rápido que conseguisse. Criava problemas, imaginava barreiras, antecipava o "não", antecipava a falha. Não arriscava, nunca, porque antes de arriscar já se tinha derrotado a si mesmo.
(Zé, és tu)
Acusava a saturação da felicidade e, para si, a injusta sensação de prazer. Sabia ao certo o que o esperava nos próximos tempos, sabia ao certo o que estava a sentir mas nunca tentou saber, ao certo, como evitar tudo isto.
Perguntava-se regularmente o porquê de ter prazer em se sentir infeliz mas nunca percebeu que não era esse o seu problema.
Zé, aos 19 anos, tinha uma capacidade enorme de amar para fazer alguém se sentir bem mas nunca conseguiu amar para ter prazer. Adorava a felicidade dos outros e destruía a dele o mais rápido que conseguisse. Criava problemas, imaginava barreiras, antecipava o "não", antecipava a falha. Não arriscava, nunca, porque antes de arriscar já se tinha derrotado a si mesmo.
(Zé, és tu)
quarta-feira, 15 de dezembro de 2010
domingo, 12 de dezembro de 2010
8 lemas portugueses:
- Da cunha nasce o talento.
- Amigo de rei, rei será.
- Filho do amigo, trabalho arranja.
- A inteligência não te dá futuro.
- A sabedoria acaba contigo.
- Licenciado?Prefiro uma nova oportunidade.
- Competência?Prefiro arrogância.
- Se fores corrupto, safas-te.
E eu? Fico por casa.
- Amigo de rei, rei será.
- Filho do amigo, trabalho arranja.
- A inteligência não te dá futuro.
- A sabedoria acaba contigo.
- Licenciado?Prefiro uma nova oportunidade.
- Competência?Prefiro arrogância.
- Se fores corrupto, safas-te.
E eu? Fico por casa.
terça-feira, 23 de novembro de 2010
...
Perdi a noção do tempo. Perdi a noção de vaidade. Perdi-me na idade.
Poderia dizer que passei por 44 primaveras mas prefiro o inverno, o frio, os chás quentes, os cafés escaldados e as torradas. Fiquei desempregada. Dediquei 22 anos da minha vida àquele trabalho e, no final das contas, nem a um pequeno jackpot de indemnização tive direito. A empresa faliu. Dentro dela ficaram memórias, centenas de folhas por imprimir, histórias de uma vida, amor e até vaidade. A vaidade, é ela que nos vai destruindo na ânsia do poder. E poder não é puder. Poder é uma destruição de valores. E quando os valores são esquecidos já não há volta a dar. Esquecem-se os direitos, lembram-se apenas dos deveres, tornam-se exigentes e até incoerentes.
Poderia dizer que passei por 44 primaveras mas prefiro o inverno, o frio, os chás quentes, os cafés escaldados e as torradas. Fiquei desempregada. Dediquei 22 anos da minha vida àquele trabalho e, no final das contas, nem a um pequeno jackpot de indemnização tive direito. A empresa faliu. Dentro dela ficaram memórias, centenas de folhas por imprimir, histórias de uma vida, amor e até vaidade. A vaidade, é ela que nos vai destruindo na ânsia do poder. E poder não é puder. Poder é uma destruição de valores. E quando os valores são esquecidos já não há volta a dar. Esquecem-se os direitos, lembram-se apenas dos deveres, tornam-se exigentes e até incoerentes.
sexta-feira, 22 de outubro de 2010
Crítica Social
Vivo na incerteza da certeza que nada é certo. Num mundo preocupado com as questões monetárias, em que o ser humano é deixado para segundo plano. Numa rua onde os vizinhos comentam a vida do político rico e não ajudam o pobre que vive na rua ao lado. Numa sociedade atenta às aparências e que desacredita a competência. Numa capital onde o capital que corre pelas ruas não corresponde a quem por lá habita. Num mercado de trabalho onde sobe o incompetente porque fecha os olhos à competência de roubar do superior. Numa sociedade em que a amizade é posta para segundo plano porque é melhor ter um conhecido influente. Num pequeno mundo que não olha à sua volta para ver que existem mundos muito maiores.
terça-feira, 28 de setembro de 2010
...poema da meia-noite e meia sem sentido
Pede-me que fique,
Jura que não vais,
Perde-te em mim,
Mente-me mais.
Sofrer na mentira,
Sofrer na verdade,
Ilusão,
Vaidade.
Dúvida que persiste,
Tristeza que invade,
Um ser a que mentiste,
Jamais perde vontade.
Vontade de te ter,
Vontade de te trair,
Vontade de te mentir,
Vontade de te perder.
Não fiques,
Vai,
Leva contigo o que deixaste,
Ergue o queixo,
Deixa-me as costas,
Fico feliz,
Ou infeliz,
Para ti pouco importa.
Prefiro assim,
Encaro de frente a tua indiferença.
Jura que não vais,
Perde-te em mim,
Mente-me mais.
Sofrer na mentira,
Sofrer na verdade,
Ilusão,
Vaidade.
Dúvida que persiste,
Tristeza que invade,
Um ser a que mentiste,
Jamais perde vontade.
Vontade de te ter,
Vontade de te trair,
Vontade de te mentir,
Vontade de te perder.
Não fiques,
Vai,
Leva contigo o que deixaste,
Ergue o queixo,
Deixa-me as costas,
Fico feliz,
Ou infeliz,
Para ti pouco importa.
Prefiro assim,
Encaro de frente a tua indiferença.
quinta-feira, 23 de setembro de 2010
...
Abri o jogo.
Fechei a jogada.
Tentei abrir o jogo novamente.
E no que deu?
Em nada.
Abrir o jogo e fechar.
É disto que é feito o dia-a-dia.
É disto que é feita a vida.
E é nisto que temos de ser bons.
Quando fechamos um jogo,
Fechamos uma etapa.
E se fechamos uma etapa,
Não podemos voltar atrás.
Devemos perceber,
Compreender,
E saber viver.
Há que aprender,
Aprender a sobreviver.
Sobreviver a um mundo incoerente,
A uma sociedade fechada,
Que temos de abrir,
Para iniciar a etapa.
A etapa da vida.
Essa, que todos os dias pode mudar.
Fechei a jogada.
Tentei abrir o jogo novamente.
E no que deu?
Em nada.
Abrir o jogo e fechar.
É disto que é feito o dia-a-dia.
É disto que é feita a vida.
E é nisto que temos de ser bons.
Quando fechamos um jogo,
Fechamos uma etapa.
E se fechamos uma etapa,
Não podemos voltar atrás.
Devemos perceber,
Compreender,
E saber viver.
Há que aprender,
Aprender a sobreviver.
Sobreviver a um mundo incoerente,
A uma sociedade fechada,
Que temos de abrir,
Para iniciar a etapa.
A etapa da vida.
Essa, que todos os dias pode mudar.
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