sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

A liberdade que eu quero

Nunca pensei que o estado a que o país chegou me conseguisse irritar tanto. Estou a ser sincera, nunca pensei mesmo. Andei ligada à vida política durante algum tempo e nos últimos meses desliguei-me completamente. É estranho, porque desde que nasci que oiço falar de política, do estado do país, do presidente da república, do primeiro ministro, das leis, das medidas, dos diplomas, da assembleia, dos deputados, dos sindicatos, das manifestações, das causas e das consequências. Graças a esta educação política que os meus pais me deram, esta área sempre foi uma das que mais me cativou. Mas, e agora? Hoje, neste momento, sinto uma repugnância enorme do rumo da política, não só nacional mas mundial. Ainda assim admito que a política nacional é a que me repugna mais, devido à proximidade certamente. A minha vontade é partir e deixar para trás este país que leva um rumo miserável e caótico. A sociedade portuguesa está embutida na estupidez política. Os políticos portugueses prendem a sociedade a torto e a direito. A juventude, aquela que se devia começar a mexer e preocupar com os assuntos do país, permanece inerte. E eu? Que faço aqui?
Como alguns sabem, e os que não sabem ficam a saber, eu sou estudante de jornalismo. Quando entrei para a faculdade, há dois anos e meio, nada me fazia pensar que no dia em que saísse de lá para o mundo do trabalho as coisas iriam estar como estão. Não me refiro só às últimas atitudes do nosso primeiro-ministro, na tentativa de censurar jornais e de não permitir que exista a tão desejada liberdade de expressão, refiro-me também ao mundo do jornalismo. Um mundo de rivalidades, de intrigas, de "vou com a tua cara", de ... nem sei. Acham mesmo que eu, jovem minimamente consciente e educada em liberdade, quero entrar para este mundo? Pois, pensem o que quiserem, eu digo-vos que não quero. E sim, estou a abandonar um dos sonhos que desde sempre tive. Sim, estou a abandonar, à partida, algo para que dizem que até tenho jeito. Sim, estou a abandonar um mundo de rivalidades, intrigas, opressão, censura e de falta de liberdade. Ou, por outro lado, estou simplesmente a afastá-lo, por tempo indeterminado, da minha vida. Eu não quero ser mais uma das que escreve porque lhe mandam escrever. Eu não quero assinar notícias que o meu superior alterou, porque não lhe convinha o que escrevi. Eu não quero, e não posso, permitir-me entrar num mundo onde a minha liberdade é comida a torto e a direito.
Além disto, eu também não quero continuar a viver num país onde, apesar de saber que ninguém se mexe para nada, a injustiça reina. Eu não quero ser mais uma das que vai "lamber botas" só porque parece bem. Eu não quero ser mais uma das que vai ser infeliz só para ganhar dinheiro.
Sabem o que vos digo? Prefiro viver num país mais pobre mas onde existam pessoas socialmente despertas. Prefiro ter um trabalho mais modesto, do que ser conhecida por aquilo que nem fui eu que escolhi ser. Prefiro puder, no fim da minha vida, erguer a cabeça e dizer "eu fui livre ao longo de toda a minha vida".

4 comentários:

  1. Acredito que se sinta mal neste país, mas o problema principal são de facto as pessoas. Continuamos a ser muito "pequeninos". As mentalidades continuam mesquinhas e só se pensa em atolar os outros na merda, e quem o faz geralmente são aqueles que têm pior cheiro.

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  2. Gostei muito do que li porque revela uma enorme consciência. Se te alenta quase ninguém quer ficar neste país, principalmente, as pessoas da nossa área que são muito mais consciencializzadas e menos manipuladas ou, talvez, por na maioria serem mais criticos. Outro realidade que gostaria de partilhar a propósito do teu texto é que quase ninguem que tirou jornalismo o quer exercer - sabemos que temos que vender os nossos valores, sermos explorados e que a falta de prularismo mete nojo.
    A base desta desordem, considero que seja a educação que o poder politico não quer aprimorar para melhor poder manipular e standardizar. No fundo, da jeito que as pessoas sejam acriticas! Contudo, esqueceram-se que África e Ásia precisam de nós. I say goodbay to Portugal in the future! espero que recebas o meu comentário com humildade porque escrevi-o devido ao contentamento em ler o que escreveste e não constatar pacifidade.

    Filipa Carvalho

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  3. Parabéns Inês.
    Há muito tempo alguém disse:
    -"Prefiro morrer de pé, do que viver sempre ajoelhado" (CHE)

    Pois é... sabes o resto da história.
    Não te esqueças que nos paises mais pobres, as mentes não estão normalmente assim tão dispertas!!! Senão nesses paises pobres, onde se morre de fome, não haveria pessoas RIQUISSIMAS, sim com todas as letras maiusculas!!!
    Acho que sabes porque falo... porque não estou aí...
    E sabes porque não estou aí? Porque também não me apeteceu, como se diz em português corrente e sem acordos, andar a encher o cú a gulosos!!!

    Mas força... desbafa no blog, afinal é teu não é? lol
    Estou a gostar de o ler ja está nos favoritos, vou passar mais vezes por aqui.

    Hélio Videira

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